PROTESTO E REVOLTA PESSOAL COM O EXAME DE ORDEM 2010.1
"O que era para ser um exame de proficiência virou uma máquina de fazer dinheiro". (Palavras de um professor).
A revolta nacional dos bacharéis em Direito e dos cursinhos continua se estendendo pelo Brasil afora. A realização do Exame da OAB 2010.1 atingiu números altíssimos, em vista do grau de dificuldade das provas elaboradas pela CESPE estarem aumentando em níveis extraordinários. Os melhores professores de cursinhos preparatórios para a OAB (Professores da Rede LFG) fizeram ferrenhas críticas à última prova da OAB que foi realizada neste domingo - dia 13/06. Aqui eu exponho alguns comentários para externar a minha insatisfação, revolta e profunda tristeza.
PONTO 1 - Sabemos que é triste o que a CESPE vem fazendo nos Exames de Ordem, pois seu objetivo tem se tornado cada vez mais inequívoco: tenta de todas as maneiras elaborar as questões mais difíceis e mirabolantes para confundir o candidato na hora da prova e fazer com que ele marque a opção errada.
Desde o ano de 2006, a OAB resolveu unificar o Exame de Ordem e realizar provas em âmbito nacional elaboradas pela CESPE. Com a unificação, as provas ficaram bem mais difíceis e confusas do que as que antes eram elaboradas pela Comissão do Exame de Ordem dos Conselhos Seccionais de cada Estado-membro da Federação.
O problema não está no fato da prova ser unificada, mas no tipo de conhecimento que é exigido do candidato na hora de realizar a prova. As chamadas "pegadinhas" não figuram no meu exemplo pessoal de questões difíceis, pois o que eu encaro como uma questão confusa e difícil é aquela que possui duas alternativas corretas para um único enunciado. Isso é o exemplo claro de uma "p..." sacanagem feita pela CESPE e me revolta, pois como pode uma instituição que elabora a prova da OAB colocar duas assertivas comprovadamente corretas em uma questão? Eu e você leitor sabemos que isso é uma verdadeira palhaçada com o candidato e prova a falta de seriedade da própria instituição responsável pela elaboração das provas.
CONCEITO DE PROVA TÉCNICA: A meu ver, provas técnicas são aquelas que cobram letra literal e expressa de lei e não interpretação e nós sabemos que não é isso que vem ocorrendo nas provas da OAB que têm cobrado dos candidatos conhecimentos doutrinários de autores específicos, conhecimentos de um ácordão proferido em um REsp ou MS isoladamente (ou seja, ainda não é uma jurisprudência, o que caracteriza um TOTAL ABSURDO!!).
PONTO 2 - Em razão do grande nível de dificuldade da prova 2010.1, os mais renomados professores da Rede LFG debateram a prova, chegando à conclusão de que era impossível chegar a um consenso sobre a alternativa correta de algumas questões de Administrativo. (Não só de Administrativo como de Constitucional e Tributário também).
Portanto, aqui vai a minha indagação para a qual eu ainda não pude encontrar uma resposta satisfatória:
***Se os professores de cursinho da Rede LFG tiveram dificuldades enormes em resolver a prova e criticaram a resposta correta, como a OAB espera que nós, bacharéis em Direito e recém-formados, tenhamos condições de resolver uma prova em que os maiores doutores em Direito no Brasil não foram capazes de concluir quais são as alternativas corretas?? Se alguém souber a resposta, me avise por favor.
PONTO 3 - Novamente aqui eu falo que EU SEI, VOCÊ SABE E TODO O BRASIL SABE, que 80% dos advogados de nosso país tem grande desqualificação profissional quando se trata de conhecimentos teóricos e doutrinários das áreas do Direito. Portanto eu venho aqui falar para esses mesmos advogados, que prestaram os antigos exames de ordem elaborados pelos Conselhos Seccionais da OAB que:
Em primeiro lugar, não critiquem os novos bacharéis em Direito pelo fato de eles ainda não terem obtido o êxito na prova unificada da CESPE, pois com a total certeza e convicção eu posso dizer: vocês não sabem nem a metade do que esses bacharéis precisam saber para realizar uma prova da OAB feita pela CESPE;
Em segundo lugar, venho aqui dizer claramente aos novos advogados que ficam nos criticando: peguem os últimos exames unificados da OAB, mais precisamente os de 2009 e esse de 2010 e resolvam. Se vocês advogados brasileiros acertarem cinquenta por cento da prova eu só digo uma coisa: MEUS PARABÉNS, porque um advogado que passou em uma prova de ordem feita pelo Conselho Seccional do seu Estado e é aprovado em uma prova unificada da CESPE está realmente estudando igual à nós, bacharéis (ainda não aprovados)nos dias de hoje!!
PONTO 4 - CONCLUSÃO DO EXAME DE ORDEM 2010.1 - Me sinto revoltada e triste em ver o tipo de questão que se cobra em uma prova unificada do exame de Ordem. Mais triste ainda é saber que o objetivo da CESPE e da OAB não é a seleção dos advogados e sim, a nivelação dos bacharéis em Direito, para que estes, depois de terem ralado e estudado durante cinco anos de faculdade, sejam declarados INAPTOS PELO EXAME DA OAB a exercer a atividade de advocacia.
Falando em nome de minha própria pessoa, não me sinto de forma alguma inapta ao exercício da minha profissão, ao contrário, me sinto inteiramente capaz de ir em juízo postular em defesa dos interesses de meus futuros clientes.
Creio que tanto as provas objetivas quanto as subjetivas são formas muito superficias de se avaliar concretamente e efetivamente o conhecimento de um candidato. Sabemos que existem inúmeros meios e recursos de se comprovar se alguém é ou não capaz, inteligente e potencialmente habilitado para o exercício de uma profissão. A famosa "decoreba" é o que os concursos brasileiros vêm pedindo atualmente, no entanto, os verdadeiros mestres do Direito sabem que o verdadeiro e efetivo conhecimento está anos luz além do que uma simples decoreba.
O conhecimento se perfaz com o decorar de uma determinada informação, mas se ele se exaure nesse decorar é um grande erro dizer que isso significa "conhecimento". O conhecimento se faz com a memorização e com a criação de novas idéias, teorias e posicionamentos a partir do conhecimento prévio que se tem de determinada área. Se você apenas decora, você é mero transmissor de uma informação e não um inovador e mestre naquela área.
Ressalto uma vez mais que o exame de ordem precisa se transformar em uma prova eminentemente técnica, cobrando o conhecimento jurídico que é passado aos alunos no curso de graduação em Direito. Já resolvi várias questões de provas unificadas da OAB e posso afirmar que nenhuma prova esteve tão difícil e com enunciados tão complicados como esse último exame.
O exame de ordem não possui mais o teor de uma prova profissional, tendo se transformado em uma prova de concurso público. Isso é que se considera mais absurdo, além do fato promover a ociosidade entre os bacharéis em Direito, que ficam impossibilitados de exercer o trabalho em sua área de formação profissional.
Venho apenas ao final dessa minha postagem pedir e enfatizar que a Ordem dos Advogados do Brasil precisa rever seus conceitos e posicionamentos em relação à prova do exame de ordem elaborada pela CEPSE. Não é ético e nem certo se tolhir o direito ao exercício da advocacia que os bacharéis adquiriram após cinco anos de graduação. Façam uma prova que nós sejamos capazes de responder e que EXIJAM CONHECIMENTO PURAMENTE TÉCNICO, já que este é o único do qual necessitamos realmente para exercer a advocacia, pois a dignidade e decência são atributos pessoais inerentes a cada indivíduo de forma isolada. Advogados ineptos não irão sobreviver no mercado de trabalho, podem até vir a sobreviver, sabendo de suas limitações e de sua incapacidade profissional. Advogados como nós bacharéis, que estudam de verdade e sempre leêm o Código de Ética Profissional da OAB, iremos com toda a certeza honrar e ser o verdadeiro benemérito da advocacia no Brasil.
Que isso seja levado em consideração um dia.
Lunara Dourado de Mello e Silva. Bacharel em Direito.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)









0 comentários:
Postar um comentário